Por Marcos Moura
O maior erro no modo de pensar coletivista e, consequentemente, das esquerdas é ignorar o espírito humano e o impulso pessoal que guia as pessoas em sua busca por realização e felicidade.
É comum ver militantes e simpatizantes de diversos partidos políticos, das mais variadas vertentes, compartilharem nas redes sociais fotos, depoimentos e exemplos de pessoas pobres que, segundo o argumento deles, não teriam vencido na vida, se não houvessem recebido o auxílio do bolsa família.
Esse argumento é falso por diversos motivos. Não estou dizendo que a pessoa necessitada que recebe algum benefício não deva estar agradecida, ela deve sim reconhecer que foi beneficiada por tal programa, mas não deve esquecer que o dinheiro arrecadado de outras pessoas e transferido a ela por intermédio do governo/Estado, por si só, não garante a realização de seus objetivos.
Não é justo desconsiderar todo o esforço pessoal empregado por uma pessoa em sua trilha em direção a uma vida melhor; retirar o mérito pessoal de suas mãos e colocar unicamente nãos mãos do governo/Estado.
Mesmo que o governo pudesse ceder eficientemente todas as condições materiais para que uma pessoa pobre pudesse fazer seu curso universitário, ela ainda teria que sentar a bunda na cadeira e estudar até de madrugada pra fazer um curso decente com um bom nível de aprendizado.
O mundo não é um desenho feito no papel, onde todas as variáveis na vida de uma pessoa são conhecidas e já definidas. A suposição de que, sem o bolsa família o universitário pobre estaria destinado a um futuro de pobreza é uma farsa, pois uma pequena mudança nas condições iniciais modifica totalmente o resultado final.
É por isso que não é tão fácil quanto parece prever o futuro e controlar totalmente uma população, pois bastaria que uma decisão diferente tomada no momento certo para mudar todo o futuro de uma pessoa e do mundo ao seu redor.
O discurso oficial que minimiza a vitória pessoal com o objetivo de fazer propaganda política é mau, pois cria a ilusão de que sem o governo e o Estado cuidando das pessoas elas são impotentes e incapazes de triunfar.
A propaganda governamental castra as pessoas quando desconsidera o ser humano como motor transformador da sociedade. O governo sem pessoas não é nada. Pessoas inovam, produzem e criam riquezas. O Estado/governo, quando não atrapalha, ajuda bastante.
É simplesmente cruel retirar das pessoas a confiança na sua capacidade de inovação, colocando no lugar a insegurança e o medo de tomar riscos, pois são exatamente esses fatores que fizeram a humanidade prosperar em meio a escassez.
A prova de que uma pessoa pobre pode sim vencer na vida pode ser encontrada na história, por meio de milhares de exemplos. Mas nada melhor do que rasgar o véu enganoso da propaganda oficial do que usar o exemplo de um de seus próprios membros para provar que a ascensão social e política é totalmente viável para uma pessoa que vive sem o benefício do bolsa família.
Segue abaixo um resumo da história do próprio ex-presidente Lula, que venceu na vida mesmo sempre tendo sido de oposição aos governos e partidos políticos no poder, vivendo décadas no período pré Plano Real, onde a inflação era galopante, e sem receber o bolsa família, que só veio a ser implementado quando o senhor Luiz Inácio já havia conquistado o cargo mais elevado da política,
O caso do ex-presidente Lula é emblemático da natural contradição do argumento coletivista, pois sua história pessoal é exaltada e celebrada como um exemplo de superação e conquista pessoal, tendo vencido a pobreza, a fome, o abandono do pai, para se tornar presidente do Brasil.
Por outro lado, os defensores de ideias socialistas, reformistas e coletivistas, costumam repudiar histórias de vitórias pessoais como um exemplo nefasto do egoísmo e da propaganda imperialista capitalista, quando o exemplo não inclui um ícone socialista como Che Guevara, claro.
LUIS INÁCIO “LULA” DA SILVA
Nascido em Pernambuco, Luiz é filho de um casal de analfabetos e lavradores, que tiveram mais 11 filhos, 04 deles morreram ainda bebês. Durante sua infância, uma prima da sua mãe foi morar em sua casa, tendo iniciado uma relação adúltera com seu pai.
Quando Lula ainda era criança seu pai foi para São Paulo, levando a prima de sua mulher, com quem formou uma nova família, dando fruto a mais 10 filhos.
Depois do abandono do pai, Lula, sua mãe, dona Lindu, e seus irmãos foram para São Paulo, em busca do pai de Lula, Aristides. Lula, sua mãe e irmãos, viajaram durante 13 dias em um transporte precário chamado pau-de-arara.l A ida a São Paulo não foi inicialmente positiva, visto que tiveram que dividir a casa de Aristides com a nova família formada da relação adúltera com a prima de dona Lindu.
Com o abandono do pai, lula passou a vender picolés na rua. Chegando a juventude fez curso técnico no SENAI, o que deu condições para começar a trabalhar em metalúrgicas, tendo então sido chamado por seu irmão para ingressar nos movimentos sindicais, onde ganhou destaque pelo seu carisma, habilidade de atrair a atenção da multidão e esperteza politica.
Após abertura política candidatou-se a presidente por três vezes, sem sucesso. Durante essa fase foi figura importante da oposição liderando movimentos de pedido de impeachment contra todos os presidentes eleitos democraticamente, movimentos estes conhecidos como “Fora Collor”, “Fora Itamar”, “Fora FHC”.
Lula foi eleito presidente do Brasil em 2002, quando incorporou o programa “bolsa escola”¹ no programa bolsa família. Lula seria reeleito em 2006.
Evidentemente esse é um resumo da história do ex-presidente Lula, para mais detalhes existem biografias nas livrarias. A leitura de sua biografia mais detalhada é importante para constatar que houveram muitos obstáculos no caminho desse homem que, independente dos políticos que estavam no poder, conquistou suas metas.
Como visto, o líder trabalhista saiu da pobreza sem o bolsa família, programa que ele, já presidente, instituiu.
Quando se trata de seus líderes, os esquerdistas tratam de destacar a força pessoal que levou aquelas figuras a seguir em frente, superando todo tipo de obstáculo para atingir seus objetivos, tudo isso, sem auxílio governamental, ou seja, usam o exemplo da livre iniciativa para combater a livre iniciativa.
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¹ O bolsa escola foi criado com base em um projeto de Cristovam Buarque que implementou pela primeira vez o programa quando era presidente da ONG Missão Criança, que fornecia uma remuneração de um salário mínimo, com financiamento oriunda da iniciativa privada, para pais que mantinham todos os filhos na escola.
O bolsa escola foi implantado como política pública pela primeira vez em Campinas, pelo prefeito Social-Democrata José Roberto Magalhães Teixeira, que implantou o programa apenas 5 dias antes do mesmo ser instituído no Governo de Cristovan Buarque no Distrito Federal. Posteriormente o programa foi adotado pelo governo social-democrata do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no ano de 2001, como bolsa família federal. O projeto seria incorporado no ano de 2003, no governo do ex-presidente Lula, dentro do programa bolsa família.
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